Presidente do FC Porto voltou a criticar a postura dos rivais e abordou a arbitragem, a centralização dos direitos televisivos, Sérgio Conceição e o arranque dos dragões na temporada.
André Villas-Boas voltou a abordar as relações entre os três principais clubes portugueses e deixou fortes críticas ao Benfica e ao Sporting. À chegada ao Portugal Football Globes, o presidente do FC Porto afirmou existir uma “santa aliança” entre os dois clubes de Lisboa, garantindo que não aceita aquilo que considera ser um alinhamento de posições contra os dragões.
As declarações surgiram depois da polémica em torno das palavras de Marco Silva, treinador do Benfica, na sequência da derrota dos encarnados frente ao FC Porto no clássico da sétima jornada da I Liga. Villas-Boas considerou que as críticas do técnico fazem parte da reação normal a uma derrota, mas voltou a defender a posição do FC Porto relativamente à arbitragem.
Villas-Boas responde a Marco Silva
Questionado sobre as declarações de Marco Silva, André Villas-Boas classificou-as como uma reação natural de um treinador que chegou recentemente ao futebol português e perdeu o primeiro clássico.
“São frustrações normais de um treinador que chega agora ao futebol português, que perde o seu primeiro clássico”, afirmou o presidente portista, citado nas declarações feitas à comunicação social.
Villas-Boas voltou ainda a defender que o FC Porto tem assumido uma posição clara relativamente ao Conselho de Arbitragem e à situação do seu presidente, Luciano Gonçalves.
O dirigente lembrou que o FC Porto já pediu anteriormente a suspensão do presidente do Conselho de Arbitragem e considerou que o clube tem sido confrontado com decisões de arbitragem difíceis de compreender ao longo da temporada.
Questionado sobre exemplos concretos, respondeu de forma direta:
“Basta ver os jogos do FC Porto e as decisões revertidas pelo VAR.”
Rui Costa e a alegada dualidade de critérios
André Villas-Boas também foi questionado sobre as críticas de Rui Costa à arbitragem e sobre a alegada existência de uma dualidade de critérios.
O presidente do FC Porto não quis assumir a interpretação apresentada pelo homólogo do Benfica e preferiu destacar os resultados da sua equipa.
“Não sei. Há um episódio curioso, na época passada, em Guimarães, entre o Sudakov e um jogador do Vitória. Não sei se é dessa dualidade de critérios a que se refere”, afirmou.
Villas-Boas acrescentou que a estatística que prefere valorizar é a campanha realizada pelo FC Porto no campeonato.
“Tenho uma estatística que eu conheço: o FC Porto tem 21 pontos e sete vitórias em sete jogos. É a essa estatística que me quero agarrar.”
Sobre a influência da arbitragem no resultado do clássico, foi igualmente categórico na sua avaliação.
“Arbitragem não influenciou? Não, de todo. Foi uma grande arbitragem”, afirmou.
O dirigente acrescentou que, na sua leitura, existiu unanimidade entre vários especialistas relativamente às principais decisões tomadas durante o encontro.
“Há uma santa aliança entre Benfica e Sporting”
Foi, contudo, quando questionado sobre as relações entre Benfica, Sporting e FC Porto que Villas-Boas deixou uma das declarações mais fortes da noite.
O presidente portista recordou que, no passado, tentou promover uma maior aproximação entre os três grandes, mas afirmou ter abandonado esse esforço quando entendeu que existia uma relação de “dois contra um”.
“Se houve alguém que promoveu precisamente a via de comunicação entre os três grandes fui eu, sentando à mesa. Quando percebi que aquilo era um dois contra um, rapidamente me afastei”, explicou.
Foi nesse contexto que utilizou a expressão que acabou por marcar as suas declarações:
“Se há algo que é verdadeiro e bem presente é uma santa aliança entre o Benfica e o Sporting.”
A afirmação representa a interpretação de Villas-Boas sobre o atual relacionamento entre os três clubes e não constitui, por si só, prova de uma coordenação formal entre Benfica e Sporting.
O presidente do FC Porto relacionou ainda esta questão com a discussão em torno da centralização dos direitos audiovisuais.
Segundo Villas-Boas, o facto de o Benfica ter comunicado aos seus associados uma posição contrária à centralização demonstra que continuam a existir divergências profundas entre os clubes.
“A paz podre continua, há ruído e há lutas e diferentes perspetivas entre clubes”, afirmou.
O dirigente portista defendeu que a centralização representa um projeto importante para o futebol português e lamentou que não exista uma posição consensual entre os principais clubes.
Críticas à postura do Sporting
Villas-Boas foi também questionado sobre a postura de Frederico Varandas relativamente à arbitragem.
O presidente do FC Porto considerou que o comportamento do líder leonino mudou nesta temporada e recordou que, na sua perspetiva, o Sporting já teve anteriormente uma postura mais interventiva sobre questões relacionadas com a arbitragem.
“Frederico Varandas não fala de arbitragem? É uma novidade da época 2026/27. Nas outras não foi assim que se comportou”, afirmou.
Quando questionado sobre os exemplos que sustentam a ideia de uma aproximação entre Benfica e Sporting, Villas-Boas apontou aquilo que considera ser um alinhamento na comunicação e em determinadas estratégias relacionadas com a Liga.
“Alinhamento na comunicação contra o FC Porto, um alinhamento em relação à estratégia da Liga”, declarou.
O dirigente portista acrescentou que, na sua opinião, existe uma convergência entre clubes de Lisboa em matérias nas quais o FC Porto assume posições diferentes.
“Dois contra um é sempre mais fácil que um contra um”, afirmou.
Sérgio Conceição no Sporting
Outro dos temas abordados foi a possibilidade de Sérgio Conceição, antigo treinador do FC Porto, vir a trabalhar no Sporting.
Villas-Boas não quis entrar em especulações sobre uma eventual escolha do técnico, mas deixou palavras elogiosas sobre o antigo treinador dos dragões.
“É um excelente treinador, histórico do FC Porto, a sua carreira foi brilhante no FC Porto, deu-nos título sem fim, tem uma memória no FC Porto que iremos preservar para sempre”, afirmou.
O presidente portista acrescentou que considera Conceição “uma pessoa honrada e digna”, mas sublinhou que qualquer decisão sobre o futuro profissional cabe exclusivamente ao treinador.
“As escolhas de clube só a ele lhe dizem respeito”, concluiu.
FC Porto mantém discurso de cautela apesar das sete vitórias
Apesar das polémicas, Villas-Boas fez um balanço muito positivo do início de temporada do FC Porto.
Os dragões somam sete vitórias em sete jornadas do campeonato e lideram a competição com 21 pontos. Para o presidente portista, o arranque demonstra a continuidade do trabalho realizado na época anterior.
“Arranque brilhante, com uma equipa totalmente comprometida, com muito Porto pelo meio e muita dedicação”, afirmou.
Villas-Boas destacou ainda a continuidade do treinador e a manutenção de uma parte importante do plantel que conseguiu uma temporada de sucesso.
Apesar do entusiasmo, o dirigente procurou colocar travão às expectativas.
“Pés assentes na terra, estamos no início do campeonato e muitas coisas podem mudar, mas muito contentes com este arranque”, disse.
Champions exige ambição, mas também realismo
Na Liga dos Campeões, o discurso foi igualmente ambicioso, embora Villas-Boas tenha reconhecido as dificuldades de competir frente aos maiores clubes europeus.
Depois do encontro com o Manchester City, o FC Porto terá pela frente outros desafios, incluindo deslocações e jogos frente a equipas como Sevilha, Nápoles e PSV, segundo o calendário referido pelo dirigente.
“É difícil competir com grandes clubes”, reconheceu.
Ainda assim, Villas-Boas considera que o FC Porto tem condições para lutar pelo objetivo de seguir em frente na competição.
Questionado sobre se a passagem à fase seguinte seria uma obrigação, respondeu:
“Não é obrigatório, mas é algo que gostaríamos que acontecesse, que nos orgulharia e ao futebol português.”
O dirigente destacou também a importância dos pontos conquistados pelas equipas portuguesas nas competições europeias para o ranking da UEFA.
“Pouca” importância para a vantagem nesta fase
Apesar das sete vitórias consecutivas no campeonato, Villas-Boas entende que ainda é demasiado cedo para retirar conclusões definitivas sobre a luta pelo título.
Questionado sobre a importância da vantagem conquistada nesta fase da temporada, respondeu simplesmente: “Pouca”.
Para o presidente do FC Porto, ainda existem muitas jornadas pela frente e vários fatores podem alterar o equilíbrio da competição.
Entre esses fatores, destacou as lesões e a necessidade de manter o maior número possível de jogadores disponíveis.
“Temos de controlar a prevenção de lesões e ter sempre o plantel disponível, porque o plantel é bom e o treinador é muito bom”, afirmou.
Villas-Boas terminou com a ambição de repetir o sucesso da temporada anterior e voltar a conquistar o campeonato.
“Se pudermos renovar o título, isso seria um orgulho maior”, concluiu.

