HomeNotíciasGoverno aprova plano para controlar alga asiática invasora na costa portuguesa

Governo aprova plano para controlar alga asiática invasora na costa portuguesa

-

Programa nacional prevê vigilância por satélite, sensores subaquáticos e novas técnicas de remoção da Rugulopteryx okamurae, espécie já disseminada por várias zonas do litoral português.

O Governo aprovou o Programa de Ação Nacional para o Controlo da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae 2026-2030, uma estratégia destinada a acompanhar a expansão da espécie, limitar a sua disseminação e reduzir os impactos nas zonas onde já se encontra instalada.

O programa foi anunciado pelo Ministério do Ambiente e Energia e surge na sequência da estratégia aprovada pelo Governo no ano passado. Entre as medidas previstas estão a utilização de imagens de satélite, sensores e câmaras de vigilância, bem como novas técnicas para remover a biomassa acumulada.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, reconheceu que a dimensão atualmente atingida pela espécie torna inviável uma promessa de erradicação.

“Não é realista prometer a erradicação”, afirmou a governante, segundo o comunicado divulgado pelo ministério.

Governo aposta na monitorização e deteção precoce

De acordo com o Ministério do Ambiente e Energia, as características da espécie e o nível de disseminação já alcançado fazem com que a erradicação seja considerada praticamente impossível.

Por esse motivo, a estratégia passa sobretudo por monitorizar, conter e minimizar os impactos provocados pela alga.

O programa pretende criar mecanismos que permitam identificar rapidamente novas áreas afetadas e atuar antes de a espécie atingir uma maior dimensão.

Uma das medidas previstas é a criação de uma Base de Dados Nacional Georreferenciada (WebGIS), que deverá permitir reunir e acompanhar informação sobre a presença da macroalga em diferentes pontos da costa portuguesa.

Estão também previstas estações de vigilância em locais considerados estratégicos, câmaras remotas em zonas críticas e recurso a imagens de satélite.

A utilização de veículos aéreos não tripulados, como drones, será igualmente integrada nos mecanismos de monitorização.

Novas formas de remover a macroalga

O programa prevê que as soluções utilizadas para combater a espécie sejam adaptadas às características de cada local.

Entre as técnicas consideradas estão a remoção manual e mecânica, a extração da alga presente na coluna de água e a instalação de barreiras destinadas a conter ou desviar a biomassa.

O Governo pretende ainda estabelecer procedimentos específicos para garantir que a biomassa retirada é transportada de forma estanque e armazenada temporariamente em terra.

Esta preocupação está relacionada com o risco de a própria operação de remoção contribuir para a disseminação da espécie para novas áreas.

Além das técnicas atualmente utilizadas, serão desenvolvidos e testados métodos considerados mais sustentáveis para a remoção da macroalga.

Estudo dos impactos ambientais e económicos

O plano não se limita ao combate direto à espécie.

O Governo pretende também avaliar os impactos ambientais e económicos provocados pela Rugulopteryx okamurae e estudar formas de recuperar os ecossistemas depois das operações de remoção.

Estão previstos ensaios de restauro ecológico em áreas intervencionadas, com o objetivo de avaliar a recuperação dos habitats afetados.

Outra das linhas de trabalho passa por estudar o potencial de valorização da biomassa recolhida, procurando perceber se o material retirado do ambiente marinho poderá ter alguma utilização.

Pesca e turismo entre as atividades afetadas

A expansão da macroalga representa uma preocupação não apenas ambiental, mas também económica.

Entre os impactos identificados pelo Governo estão a redução das capturas de pesca, danos provocados nas artes utilizadas pelos pescadores e custos adicionais associados à remoção da biomassa.

As zonas balneares também podem ser afetadas pela acumulação da alga, com possíveis consequências para a atratividade das praias.

As autarquias são igualmente chamadas a suportar custos relacionados com a recolha e gestão da biomassa que chega às zonas costeiras.

“Queremos proteger os ecossistemas marinhos e, ao mesmo tempo, reduzir os impactes sobre os pescadores, as autarquias, o turismo e as populações”, afirmou Maria da Graça Carvalho.

Alga já está presente em várias regiões

A Rugulopteryx okamurae é uma macroalga castanha originária do Pacífico Norte e está incluída na lista de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na União Europeia.

Em Portugal continental, os primeiros registos da espécie no Algarve remontam a 2021. Desde então, a sua presença alargou-se a outras zonas do litoral, incluindo a costa alentejana.

Desde 2024, a macroalga também está identificada na zona de Cascais.

Nos Açores, onde foi detetada pela primeira vez em 2019, a espécie já foi identificada em oito das nove ilhas do arquipélago.

A dimensão da presença da espécie em diferentes regiões é uma das razões pelas quais o Governo considera que uma estratégia nacional é necessária.

Pesca, aquicultura e embarcações podem contribuir para a dispersão

O Ministério do Ambiente identifica várias possíveis vias de disseminação da Rugulopteryx okamurae.

Entre elas estão as águas de lastro dos navios, as incrustações nos cascos das embarcações, os equipamentos utilizados na pesca e atividades relacionadas com a aquicultura.

A dispersão natural da espécie também contribui para a sua expansão.

Por esse motivo, o programa inclui ações de formação e sensibilização destinadas às comunidades que desenvolvem atividades junto ao mar, incluindo pescadores, profissionais ligados ao turismo e responsáveis por zonas balneares.

Cooperação com Espanha também está prevista

O Governo pretende ainda reforçar a cooperação internacional no acompanhamento da espécie.

O programa prevê a criação de um canal de comunicação com Espanha e com outros países onde a macroalga invasora está presente.

A intenção é facilitar a troca de informação e experiências sobre métodos de monitorização, contenção e remoção.

Para Maria da Graça Carvalho, a estratégia representa uma mudança na forma como o problema é enfrentado.

A ministra defende a passagem de intervenções pontuais para uma abordagem nacional baseada na ciência, na prevenção, na deteção precoce e na capacidade de resposta.

O programa estará em vigor entre 2026 e 2030, período durante o qual serão desenvolvidas as diferentes medidas destinadas a acompanhar a evolução da espécie e a limitar os seus efeitos sobre os ecossistemas marinhos e as atividades económicas ligadas ao litoral português.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

LATEST POSTS

Farioli respira de alívio: FC Porto atualiza estado físico de Gabri Veiga

Médio espanhol não apresenta qualquer lesão muscular após ter sido substituído aos 38 minutos frente ao Benfica. Martim Fernandes continua sob avaliação. Boas notícias para Francesco...

Incêndio na Trofa está dominado após deixar três bombeiros feridos

Fogo que começou durante a tarde chegou ao concelho da Maia e obrigou à retirada preventiva de 40 alunos e três funcionários de uma escola. O...

Benfica vence Juventus e começa Champions feminina com vitória em Turim

O Benfica entrou com o pé direito na fase de liga da Liga dos Campeões feminina. As encarnadas venceram a Juventus por 2-1, esta terça-feira,...

João Gabriel critica Rui Costa e arbitragem após derrota do Benfica no Dragão

O antigo diretor de comunicação dos encarnados questionou a postura do presidente do Benfica e apontou uma alegada diferença de critérios na arbitragem do clássico...

Most Popular

spot_img