Luís Torres, proprietário do antigo espaço noturno Elefante Branco, em Lisboa, foi hospitalizado depois de ter dado entrada no Hospital de São José com convulsões. O empresário, de 63 anos, encontra-se em estado grave, segundo informações divulgadas esta terça-feira, 15 de setembro.
A situação surge numa altura particularmente delicada para Luís Torres, que enfrenta problemas de saúde graves e está também envolvido num processo judicial relacionado com o antigo estabelecimento de diversão noturna.
Empresário deu entrada no hospital com convulsões
De acordo com a informação divulgada sobre o caso, Luís Torres foi transportado para o Hospital de São José, em Lisboa, depois de ter sofrido convulsões.
O estado de saúde do empresário é considerado grave e está a ser acompanhado pela equipa médica daquela unidade hospitalar. Luís Torres sofre de cancro do pulmão em estado avançado, com metástases noutros órgãos, uma condição que já tinha obrigado a cuidados e tratamentos médicos durante o período em que esteve privado de liberdade.
A situação clínica surge depois de o empresário ter passado vários meses em prisão preventiva no âmbito do processo relacionado com o Elefante Branco.
Luís Torres saiu da prisão no início de julho
O proprietário do conhecido espaço noturno esteve em prisão preventiva durante parte do processo judicial. Segundo informações anteriormente divulgadas, Luís Torres saiu em liberdade no início de julho, depois de ter sido atingido o prazo máximo permitido para a prisão preventiva.
Durante o período em que esteve detido, passou grande parte do tempo no Estabelecimento Prisional de Lisboa.
Em abril, foi transferido para o Hospital-Prisão de Caxias, numa altura em que o agravamento do seu estado de saúde exigia acompanhamento e tratamentos médicos.
A saída em liberdade ocorreu, assim, enquanto o processo judicial continuava em andamento.
Empresário é um dos principais arguidos no caso Elefante Branco
Luís Torres é um dos 12 arguidos acusados pelo Ministério Público no processo relacionado com o Elefante Branco, estabelecimento que encerrou em 2025.
A acusação envolve crimes como lenocínio, branqueamento de capitais, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e associação criminosa, entre outros ilícitos que são imputados aos vários arguidos.
Segundo a acusação, citada por diferentes órgãos de comunicação social, o espaço terá funcionado durante vários anos através de uma estrutura organizada que envolvia mulheres recrutadas para atividades de exploração sexual.
É importante sublinhar que estas são acusações constantes do processo judicial e que a responsabilidade criminal dos arguidos terá de ser determinada pelos tribunais.
Mais de 22 milhões de euros movimentados
Um dos elementos que mais chamou a atenção na investigação prende-se com os valores financeiros associados às empresas ligadas ao negócio.
Segundo os dados divulgados sobre a acusação, as contas das empresas associadas a Luís Torres movimentaram mais de 22 milhões de euros entre 2019 e 2025.
No mesmo período, o estabelecimento terá registado mais de oito milhões de euros em vendas de bebidas pagas através de cartão.
A investigação aponta ainda para mais de 2,7 milhões de euros em comissões pagas a 513 mulheres durante o período analisado.
Estes números fazem parte dos elementos apresentados no processo pelo Ministério Público e deverão ser apreciados no âmbito judicial.
Processo envolve 12 arguidos
O processo do Elefante Branco envolve um total de 12 arguidos, segundo as informações divulgadas após a acusação do Ministério Público.
A investigação procurou esclarecer o funcionamento da estrutura que operava no estabelecimento e numa pensão associada, bem como os fluxos financeiros e o papel desempenhado pelos diferentes envolvidos.
A acusação refere ainda que algumas mulheres eram apresentadas aos clientes através de catálogos. Segundo os elementos divulgados sobre o processo, estariam disponíveis cerca de 80 mulheres e eram cobrados valores por cada seleção.
Entre os clientes mencionados na investigação encontram-se, segundo a acusação, empresários, jogadores de futebol e elementos das forças policiais. A simples referência de uma pessoa como cliente ou testemunha num processo não significa, por si só, que tenha cometido qualquer crime.
Estado de saúde volta a gerar preocupação
A hospitalização de Luís Torres acontece poucas semanas depois de novas informações terem sido divulgadas sobre o processo judicial e sobre o funcionamento do antigo Elefante Branco.
O empresário enfrenta simultaneamente um quadro clínico grave e um processo criminal de grande dimensão.
Até ao momento, a informação divulgada aponta para uma situação de saúde preocupante, mas o acompanhamento médico continuará a determinar a evolução do seu estado.
O processo judicial relacionado com o Elefante Branco prossegue independentemente da situação clínica do empresário, cabendo agora aos tribunais apreciar os factos e determinar eventuais responsabilidades.

